Opinião: Nossas desigualdades

Artigo de Vicente Lino

Por Vicente Lino 06/05/2020 - 12:30 hs
Em meio às nossas constantes dificuldades, na política, na economia e em toda a enxurrada de trapalhadas e desgovernos que nos trouxeram à essa imensa desigualdade, talvez valesse a pena refletir porque descemos tanto.
Raramente são discutidas as causas estruturais desse problema. E que não se pense somente nas desigualdades  financeira e econômica. Há a inexpugnável desigualdade jurídica, e aí, a justificativa é sempre o bordão: “está na constituição.
 Claro que está na Constituição, pois foram os privilegiados que a escreveram. Os deputados constituintes, foram escolhidos pelo povo, mas a Constituição não tem a cara do povão. Cá entre nós, você acredita, sinceramente, que o povão aprovaria que 55.000 pessoas tivessem foro especial e não pudessem ser julgados pelos seus crimes, por juízes de primeira instância? Ou que aprovaria o auxílio-moradia para essa moçada toda do judiciário, mesmo os que moram na mesma cidade em que trabalham? Ou, a gente aprovaria a aquisição de lagostas e vinhos, com, ao menos, 4 premiações internacionais, para suas excelências do STF? Claro que não! 

Recentemente, ministros do STF se pronunciaram, meio que concordando, com o impeachment do Presidente, por conta das besteiras que ele fala todo dia, ou de suas nomeações e demissões no governo. Esse mesmo STF acha normal que o povão sustente seus privilégios, seus altos salários, suas mordomias, além da acomodação de seus apaniguados. Sabem qual é a resposta? “Está na Constituição.

 Claro que está. Como está, também, que cabe ao Presidente da República nomear os integrantes de seu governo. O Colunista Fernão Lara Mesquita expõe, de forma categórica, seu ponto de vista. Afirma ele:

“Os doutores Alexandre de Moraes e Celso de Mello que afirmam de dedo em riste que “o presidente não pode servir-se do aparato do estado para satisfazer seus interesses particulares” são os mesmos que se servem e suas famílias e apaniguados, em padrões de potentados orientais e impõem que uns paguem a pandemia com a extinção dos seus empregos e salários miseráveis enquanto outros fiquem incólumes sustentados pelos primeiros.”
Em meio à pandemia, com milhares de mortos e infectados, com a perda de inúmeros empregos e o estouro do orçamento público, sabemos o que nos espera lá na frente até retornarmos à normalidade. A doença mostra o heroísmo e o desprendimento dos nossos profissionais da saúde, em meio ao caos que “politizou” descaradamente o vírus.  As notícias de desvio de recursos e apropriação das verbas, com fins ilícitos já se espalham pelo país, com a polícia no calcanhar da tigrada de sempre. A crise na saúde tem seus motivos.

Voltemos ao  colunista, Fernão Lara: A saúde pública sempre viveu no limiar do colapso porque os hospitais e equipamentos que os governadores e prefeitos não têm, como tudo o mais no Brasil, foram transformados em aposentadorias precoces e contratações em dobro de funcionários indemissíveis para todo o sempre com direito a aumentos anuais automáticos que consomem tudo e mais um pouco do que os governos arrecadam com a carga de impostos economicamente necrosantes mais tóxica e pesada do planeta” .Concordamos todos e acrescentamos que quando denunciamos essas atrocidades, eles respondem: “Está na Constituição”!